Há quem confunda estes dois conceitos, embora sejam bem distintos. Um é viciado no trabalho (workaholic) e o outro apaixonado pelo trabalho (worklover).
Os termos workaholic e worklover expressam duas formas diferentes de postura face ao trabalho. Enquanto o workaholic é viciado pelo trabalho, portanto, “trabalhador compulsivo” (nenhuma compulsão é saudável) e o worklover, por seu lado, gosta do seu trabalho, não o assumindo, porém, como um vício.
O workaholic (do inglês, “aquele que trabalha muito e que não se consegue desligar do trabalho”) é uma variação da palavra alcoholic (alcoólatra) que serve para classificar aquele que é um viciado no trabalho, trabalhador compulsivo ou dependente do trabalho. Sendo fracasso um dos seus maiores receios, e a busca de afirmação uma das suas principais motivações, ele procura incessantemente dar o melhor de si na busca de resultados. Isto leva a que não se consiga desprender do trabalho, mesmo quando fora dele, descuidando da sua vida pessoal, familiar e social, restringindo as suas relações ao contexto laboral (Mudrack &Naughton, 2001).
Worklover (do inglês “aquele que ama o trabalho”) é uma pessoa apaixonada pelo trabalho que ama aquilo que faz, também trabalha muito, mas de uma maneira mais saudável e menos ansiosa. Entrega-se de corpo e alma ao trabalho na dose certa a fim de alcançar os resultados esperados e desejados. Possui o equilíbrio em todas as áreas da vida, sendo por isto capaz de estabelecer o equilíbrio entre o trabalho e o lazer, não descorando da sua vida os aspetos sociais, mentais e familiares. Tem consciência clara de que, para recuperar energias e ser mais produtivo no trabalho, necessita de descanso e de realizar atividades fora do contexto laboral (Ramos, 2004, p. 413).
O workaholic pode ser classificado como um indivíduo cuja ambição passa a ser obsessiva, deixando de constituir um fator de desenvolvimento para passar a constituir um sentimento compulsivo numa atitude egocêntrica e de persecução, a qualquer custo, de algum objetivo para seu crescimento, não se preocupando com o desenvolvimento da equipa de trabalho, mas buscando somente prestígio para a própria afirmação profissional. Este pode ser classificado como um gestor tóxico quando ocupa tal posição.
Em suma, enquanto o workaholic acha que trabalhando muitas horas consegue provar o seu valor, o worklover tem consciência clara de que trabalhar muitas horas não é forçosamente sinal de competência.
A crescente disputa pela manutenção no mercado, a forte concorrência no mercado de trabalho e o medo do desemprego fazem do workaholic uma figura cada vez mais presente, fenómeno que a atual pandemia acabou por intensificar.
Quando o excesso de trabalho passa a ser uma constante, torna-se eminente o risco de adquirir uma série de enfermidades de natureza emocional, mental e física. Da extensa lista de doenças resultantes do desgaste emocional e físico que a pessoa sofre pelo estado de tensão e stress crónico associados ao trabalho excessivo, figuram a depressão, gastrite, enxaqueca, distúrbio do sono, cansaço agudo, irritabilidade, dificuldade de concentração, alteração de humor e de memória, podendo ser também ocorrer uma completa descaracterização do indivíduo (Aziz & Tronzo, 2011).
É fundamental para o indivíduo fazer uma correta gestão das suas energias, assim como do seu tempo, necessitando, para tal, de possuir um conhecimento profundo de si, enquanto pessoa e enquanto profissional.
O trabalho enobrece o homem, visto despertar-lhe sentimento de utilidade e permitir-lhe ter consciência da sua capacidade de contribuir para o crescimento de uma organização e do País, no entanto, estamos todos de acordo que o trabalho, pela satisfação e auto-realização que proporciona, é uma parte importante da nossa vida, porém a vida não se resume ao trabalho.
Seguindo as palavras de Leonardo da Vinci: “A vida pode torna-se mais longa quando bem preenchida”.