São poucas instituições que exercem tanta influência nas decisões de investimento e de política económica como as agências de notação de risco. Entre elas, a S&P Global Ratings (Standard & Poor’s) destaca-se pela sua história, dimensão e impacto.
Fundada em 1860, a partir das publicações de Henry Varnum Poor (que procuravam sistematizar dados sobre empresas ferroviárias nos Estados Unidos) a S&P cresceu e transformou-se, ao longo de mais de um século e meio, numa referência incontornável na avaliação de risco de crédito de Estados soberanos, empresas e instrumentos financeiros.
A missão declarada da S&P é de fornecer avaliações independentes da capacidade e disposição dos emissores de dívida em honrar os seus compromissos financeiros, criando uma linguagem comum que investidores de todo o mundo possam utilizar para comparar riscos. Estas avaliações são expressas em escalas alfabéticas do “AAA” (excelente solvabilidade) ao “D” (incumprimento) e influenciam, diretamente, as taxas de juro que países e empresas pagam para se financiar.
Contudo, críticos apontam que a existência de apenas algumas instituições com peso global cria um ambiente em que decisões independentes podem gerar efeitos sistémicos enormes. Estas críticas, frequentemente dirigidas ao chamado “modelo de emissão paga pelo avaliado”, colocam questões sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a real independência das avaliações.
No plano global, duas grandes agências de rating mundialmente reconhecidas, a Moody’s Investors Service e a Fitch Ratings compõem, com a S&P, o chamado “Big Three” do rating internacional. Estas três instituições dominam a cobertura em praticamente todos os mercados relevantes, desde os Estados Unidos e Europa até aos países em desenvolvimento em África e América Latina. Além destas, existem outras agências reconhecidas por regiões, como a DBRS Morningstar e a Scope Ratings, que também contribuem para a diversidade de perspetivas no mercado de crédito.
Neste contexto, a recente evolução de Cabo Verde pela S&P merece particular atenção. A agência elevou a classificação soberana do país de B para B+ (fevereiro 2026), mantendo uma perspetiva positiva. A decisão foi justificada pelo fortalecimento dos indicadores fiscais e externos, impulsionados pelo turismo, pelas remessas e pela consolidação da dívida pública, factores que, segundo a S&P, reduzem vulnerabilidades e abrem espaço para um crescimento mais sustentável.
Ora, num país pequeno e aberto como Cabo Verde, cujas finanças dependem fortemente de fluxos externos, uma nota mais alta pode reduzir os custos de financiamento, atrair investidores estrangeiros e aumentar a credibilidade internacional do arquipélago.
No entanto, não se pode ignorar que uma classificação como “B+” continua a colocar Cabo Verde no espectro de risco especulativo, abaixo do chamado grau de investimento. Isto significa que, embora tenha havido progressos, ainda existem desafios como a dependência do turismo europeu, limitações em infraestruturas e vulnerabilidades externas que poderão influenciar futuras avaliações.
Resumidamente, a Standard & Poor’s e as restantes agências globais de rating funcionam como verdadeiros barómetros da confiança internacional. Para Cabo Verde, o sucesso não residirá apenas em subir degraus na escala alfabética. O verdadeiro desafio da melhoria do rating reside em garantir que a evolução positiva se traduza num desenvolvimento sustentável, inclusivo e resiliente, capaz de ir além das classificações e responder às necessidades reais do país.