A United Nations Economic Commission for Africa – Comissão Económica das Nações Unidas para a África (UNECA/CEA) constitui um dos pilares mais relevantes, da arquitetura internacional de apoio ao desenvolvimento africano. Criada em 1958, num contexto histórico marcado pelo início das independências africanas, a UNECA nasceu da convicção de que o continente precisava de uma instância própria de reflexão económica, capaz de produzir conhecimento adaptado às suas realidades e de apoiar os Estados na construção de políticas de gestão pública eficazes.

A UNECA tem como missão central promover o desenvolvimento económico e social sustentável de África, apoiando os governos na formulação de políticas baseadas em evidência, no reforço das capacidades institucionais e na promoção da integração regional. Ao contrário de outras entidades internacionais de cariz mais financeiro, a Comissão assume-se sobretudo como um centro de pensamento estratégico de gestão (think tank) de África nas Nações Unidas.

Os seus relatórios e estudos tornaram-se referências incontornáveis em áreas como industrialização, comércio intra-africano, governação económica, estatísticas, finanças públicas, alterações climáticas, igualdade de género e transformação digital.

Num continente marcado por assimetrias profundas, fragilidades institucionais e elevada exposição a choques externos, o papel da UNECA é muito relevante por procurar conciliar crescimento económico com inclusão social e sustentabilidade ambiental.

A sua atuação articula-se ainda com grandes agendas internacionais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063 da União Africana, procurando garantir coerência entre as prioridades nacionais, regionais e globais.

É neste quadro que se insere a interação da UNECA com Cabo Verde. A Comissão tem colaborado com Cabo Verde em áreas particularmente sensíveis, como o desenvolvimento sustentável, a economia azul, a gestão das finanças públicas e o fortalecimento do sistema estatístico nacional. Cabo Verde enfrenta desafios específicos que exigem soluções diferenciadas.

Num contexto em que a qualidade dos dados é fundamental para decisões, o apoio da UNECA revela-se crucial. Mais do que transferir modelos externos, a UNECA tem procurado adaptar recomendações à realidade cabo-verdiana, reconhecendo as limitações estruturais.

Ora, esta cooperação, embora relevante, permanece muitas vezes discreta e pouco conhecida fora dos círculos técnicos. Tal levanta uma questão pertinente: estará Cabo Verde a explorar plenamente o potencial estratégico da UNECA?

Num momento em que o país enfrenta desafios como a diversificação económica, a resiliência climática e a sustentabilidade da dívida pública, uma articulação mais visível e estruturada com esta Comissão poderia efetivamente reforçar a qualidade do debate público e das opções políticas.

Em suma, a UNECA representa uma ferramenta estratégica essencial para África e, no caso cabo-verdiano, um parceiro pouco visível, mas valioso. O aprofundamento desta relação poderá ser determinante para que Cabo Verde se afirme como um exemplo de estabilidade e de gestão da inovação no contexto africano, transformando conhecimento técnico em políticas públicas eficazes e orientadas para o futuro.


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Gestor Empresas, Mestre em Marketing pela 'University of Creative Arts', Manager na 'Vasconcelos Lopes, Lda.', Autor do Livro 'MARKETING & INOVAÇÃO NAS AUTARQUIAS'. Iniciou a sua carreira no Retail Business tendo sido o responsável pela concepção, implementação e gestão da primeira rede de supermercados do País (FRAGATA) e tem vindo a colaborar em projectos a instituições desenvolvendo modelos “out of the box” de Gestão e Marketing.

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