Vivemos numa era em que a tecnologia molda o modo como estudamos, trabalhamos e até como nos relacionamos. A internet deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade. Contudo, essa revolução digital trouxe consigo um paradoxo: enquanto conecta milhões de pessoas, também aprofunda as desigualdades entre quem tem acesso e quem fica de fora. A chamada inclusão digital tornou-se, portanto, uma das questões sociais mais urgentes do nosso tempo, especialmente nos países em desenvolvimento como Cabo Verde.
A exclusão digital é hoje uma nova forma de desigualdade social. Se no passado a pobreza era medida pela falta de renda, educação ou moradia, atualmente ela também se expressa pela ausência de acesso às tecnologias da informação. Aqueles que não têm internet, dispositivos adequados ou competências digitais estão automaticamente excluídos de uma parte significativa da vida moderna. Isso significa menos oportunidades de estudo, emprego e participação cívica — um verdadeiro ciclo de exclusão que reproduz e amplia desigualdades históricas.
O problema não se resume à ausência de infraestrutura. Mesmo onde há conexão, muitas pessoas não sabem usar as ferramentas digitais de forma produtiva. Saber navegar nas redes sociais não é o mesmo que saber pesquisar, trabalhar ou empreender online. Falta formação digital e políticas públicas que democratizem o conhecimento tecnológico. Assim, a desigualdade digital não é apenas tecnológica, mas também educacional e cultural.
Em Cabo Verde, os avanços em matéria de digitalização são visíveis — desde os serviços públicos online até o uso crescente de plataformas de ensino à distância. No entanto, ainda existe um descompasso entre as ilhas e entre os meios urbano e rural. Jovens das zonas mais periféricas ou de comunidades isoladas enfrentam maiores dificuldades de acesso à internet e a equipamentos informáticos. O resultado é uma exclusão silenciosa, que limita o futuro de muitos e reforça as diferenças sociais.
Mas há também motivos para esperança. A inclusão digital, quando bem orientada, é uma poderosa ferramenta de emancipação. Através da inclusão digital, é possível criar oportunidades de emprego, fortalecer pequenas empresas, incentivar a inovação e ampliar o acesso ao conhecimento. Um jovem conectado pode aprender uma profissão, abrir um negócio online ou participar de projetos internacionais sem sair do seu bairro. A tecnologia, nesse sentido, pode ser um grande igualador social (se, efetivamente, usada com propósito e equidade).
É urgente que os governos, as escolas e o setor privado encarem a inclusão digital como um direito básico. Investir em infraestruturas, em formação tecnológica e em programas de internet gratuita em espaços públicos é investir na dignidade das pessoas.
A inclusão digital não se resume a colocar computadores ou smartphones nas mãos de todos, mas a garantir que cada cidadão possa utilizá-los para transformar a sua realidade.
Em resumo, promover a inclusão digital é lutar por uma sociedade mais justa e solidária, onde a tecnologia sirva ao desenvolvimento humano e não à exclusão. O futuro será digital, mas cabe a nós decidir se será também inclusivo.
A Inclusão Digital e a Desigualdade Social