O avanço decidido rumo à transformação digital é um marco na história de Cabo Verde. Efetivamente, nos últimos anos, têm-se dado passos rumo a uma “nação digital”, onde a tecnologia representa, não apenas uma ferramenta de trabalho, mas um meio de aproximar ilhas e abrir portas para novas oportunidades.

Cabo Verde está a viver uma verdadeira mudança de mentalidade – colocar a tecnologia em prol do desenvolvimento humano. A Estratégia da Economia Digital (EEDCV) tem essa visão ambiciosa de transformar o país numa “nação digital”, onde a tecnologia seja o motor de inovação, competitividade e inclusão. A promessa é de digitalizar 60% dos serviços públicos até 2026 e mais de 80% até 2030, com o intuito de tornar o acesso mais rápido, transparente e eficiente para todos os cidadãos.

Um dos símbolos dessa mudança é o Parque Tecnológico de Cabo Verde, com polos na Praia e no Mindelo financiados pelo Banco Africano de Desenvolvimento. Há pois a esperança de haver mais startups, empresas e investigadores com o objetivo de transformar o país num centro digital da África Ocidental.

Contudo, temos que considerar outros desafios. A transformação digital exige não apenas infraestrutura, mas também competências humanas. Ainda é preciso investir fortemente na formação digital, sobretudo nas ilhas mais pequenas, para evitar novas formas de exclusão. A segurança cibernética, a proteção de dados e a sustentabilidade dos investimentos também são preocupações constantes num cenário em rápida evolução.

Mesmo assim, há sinais encorajadores. Nota-se uma vontade de aprendizado e uma visão mais global da juventude cabo-verdiana (jovens que já não olham apenas para o mercado local, mas pensam globalmente). Com um computador e uma boa ligação à internet, hoje é possível trabalhar para o mundo a partir de qualquer ilha do arquipélago.

É certo que nem todas as ilhas têm a mesma qualidade de internet, e ainda há muito por fazer. A literacia digital precisa crescer, a segurança cibernética deve ser reforçada e é preciso garantir que a tecnologia esteja sempre ao serviço das pessoas — e não o contrário.

A transformação digital, no fundo, é sobre pessoas — sobre jovens que acreditam no seu potencial, sobre cidadãos que exigem serviços melhores e sobre um Estado que tem a obrigação de estar mais próximo do seu povo.

É irreversível que estamos na rota da transformação digital. O digital redefine a forma como o país se relaciona consigo próprio e com o mundo, ou seja, a transição de Cabo Verde para uma era de maior modernidade, eficiência e verdadeira conectividade.

Cabo Verde precisa, pois, de construir um ecossistema digital sólido, apostando tanto na inovação como na inclusão. Mais do que uma opção, a transformação digital tem sido uma necessidade nacional.

Com foco nesta jornada o nosso arquipélago poderá tornar-se um exemplo africano: usar a tecnologia para construir um futuro mais próspero e sustentável.


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Gestor Empresas, Mestre em Marketing pela 'University of Creative Arts', Manager na 'Vasconcelos Lopes, Lda.', Autor do Livro 'MARKETING & INOVAÇÃO NAS AUTARQUIAS'. Iniciou a sua carreira no Retail Business tendo sido o responsável pela concepção, implementação e gestão da primeira rede de supermercados do País (FRAGATA) e tem vindo a colaborar em projectos a instituições desenvolvendo modelos “out of the box” de Gestão e Marketing.

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