O termo mentoria (mentoring) é um termo que se encontra associado a desenvolvimento pessoal e mudança em que devemos estar atentos e saber identificar a categoria do ‘mentor’, suas influências e reais intenções. Ora, numa sociedade em constante mutuação, essa identificação antecipará cenários futuros, servindo pois de alerta à sociedade sobre as consequências futuras.

Numa das obras de Peter Ducker (um dos mais influentes managers do século XX) apresenta que a identificação do caráter do indíviduo pode explicar como as coisas são feitas e, aparentemente sem grande importância, mas pode residir o fato de acontecer o colapo das sociedades atirando os povos à irracionalidade agravando fenomenos sociais tais como o desemprego e conflitos.

Peter Drucker deixou 38 livros e foi no seu livro “The future of industrial man”, datada de 1942, que descreveu antecipadamente o cenário pós guerra e um novo modelo de concepção da relação de poder dentro dos exércitos em transposição para dentro das empresas (suportadas por uma hierarquia de habilidades e uma hierarquia de comando).

Peter, nasceu em Viena, em 1909, e foi educado na Áustria e na Inglaterra. Em 1937 emigrou para os Estados Unidos, onde se manteve como correspondente de vários jornais ingleses, incluindo o Financial Times. Autor de referência na gestão sendo que a obra Sociedade Pós-Capitalista continua a ser uma referência, pela pertinência e atualidade dos temas abordados, que vão desde uma análise de que seria necessário combater o terrorismo à transformação do papel do Estado na economia. Um texto indispensável para se perceber a evolução da sociedade nos últimos 20 anos, de um modelo capitalista para o de uma sociedade do conhecimento, ora, uma alteração de paradigma de mentalidades e novas realidades económicas e sociais.

A primeira obra de Drucker (1939) analisou a crise enfrentada pela Europa que além de problemas de ordem material, extrapolavam movimentos políticos e ideológicos daquela época, como o Totalitarismo. Drucker explica de forma simples como foi conduzida a guerra devido ao caráter/perfil de alguns e a forma que se foi desencadeando dependeu das características de cada povo. Na Europa com o totalitarismo se espalhando, apareceram o Fascismo, na Itália, o Franquismo na Espanha e, o Salazarismo em Portugal.

Drucker (1942) explica que definir uma sociedade funcional é tão complicado como definir a vida, pelo fato de ser difícil ver o todo quando se é parte. Completa afirmando que as sociedades funcionais precisam conferir ao individuo status e função, estabelecendo um propósito para a cooperação e com significado, tornando-a dinâmica. Os mesmos princípios que norteiam o status e função do indivíduo, também o fazem para a legitimação do poder, fazendo surgir Governos para o desenvolvimento das suas comunidades (Governos funcionais) desde que estes tenham os mesmos princípios básicos que tem o status e a função.

Defende que a Sociedade implica regras, poder e organização social. Quando uma sociedade tem um poder decisivo ilegítimo, é como se ela deixasse de ser uma sociedade. O pânico é reflexo da ausência da sociedade. Expectativas do próprio Drucker é que os seus livros servissem para as gerações que não presenciaram os horrores das guerras, sendo pois como veículo para a construção de uma sociedade livre que estabeleçam modelos de relacionamento de cooperação junto com as organizações, contribuindo pois para a reflexão sobre o papel da sociedade e sobre o perfil dos seus governantes.


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Gestor Empresas, Mestre em Marketing pela 'University of Creative Arts', Manager na 'Vasconcelos Lopes, Lda.', Autor do Livro 'MARKETING & INOVAÇÃO NAS AUTARQUIAS'. Iniciou a sua carreira no Retail Business tendo sido o responsável pela concepção, implementação e gestão da primeira rede de supermercados do País (FRAGATA) e tem vindo a colaborar em projectos a instituições desenvolvendo modelos “out of the box” de Gestão e Marketing.

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