A descolonização da África

Deskolonização de Áfrika ka foi um simples ato jurídiko de transferênsia de soberania, mas sim um prossesso históriko profundo, markôde pa tensões e diferenças ke ate ahoje ta existi e ta moldá nôs kontinente.

Após II Guerra Mundial, ess movimento de deskolonização resultá devido a enfraquekimento de potênsias koloniais europeias, mas tambê de surgimento de elites afrikanas politikamente konssientes e determinadas pa pô fim a dékadas (ou sékulos) de dominação externa.

Forma komo kada país afrikano torná independente varià konsideravelmente, revelônd diferentes estratégias koloniais e diferentes níveis de mobilização interna.

Na kolónias britânikas, deskolonização foi gradual e negosiada. Reino Unido privilegiá transições kontroladas, preparônde administrações lokais e promovendo reformas konstitukionais. Kaso de Gana, independente na 1957 sob liderança de Kwame Nkrumah e de ‘Convention People’s Party’ torná kaso exemplar e inspirá pan-afrikanismo.

Países moda Nigéria, Uganda ou Tanzânia sigui perkurse semelhante, liderôde pa figuras moda Nnamdi Azikiwe, Milton Obote e Julius Nyerere. Kontude, nem sempre transição foi pasífika: Quénia passá pa violênsia na ‘revolta Mau Mau’ antes de alkansá independênsia na 1963 ke Jomo Kenyatta, e Zimbabwe só vrá livre na 1980, dpox num longa guerra kontra regime de minoria branka.

Áfrika Sul ta representá um kaso diferente, pois independênsia formal existi desde 1910, má verdadeira libertação polítika sô fui konkretizôde na 1994, ke fim de apartheid e eleição de Nelson Mandela pa Congresso Nacional Africano.

França segui um via supostamente máje rápid e organizôde, sobretude em 1960, ano em que grande parte de Áfrika frankófona torná independente. Países moda Senegal, Costa do Marfim, Mali, Níger e Burkina Faso emergi sob lideranças moda Léopold Senghor, Félix Houphouët-Boigny e Modibo Keïta, através de prossessos negosiôds mantinde fortes laços polítikos, ekonómikos e militares má Paris.

No entante, ess “independênsia kontrolôde” má Paris, levantá krítikas sobre persistênsia de um dependênsia neokolonial. Exsseção foi Argélia, onde França rekusá em abdiká da kolónia e isso konduzi a um guerra brutal entre 1954 e 1962, vencide pa Argélia pa ‘Front de Libération Nationale’, movimento nassionalista liderôde pa Ahmed Ben Bella komo figura kentral.

Na kolónias de bélgica, deskolonização foi mal preparóde. Congo torná independente na 1960 sob Patrice Lumumba, no entante rapidamente ej entrá em kaos polítiko. Ruanda e Burundi torna independente na 1962, num kontexto de tensões étnikas ke trazê konsequênsias trágikas. Pa ot lod, países moda Líbia ou Somália torná independente sob supervisão de ONU, enquante Eritreia só alkansá soberania na 1993, dpx dum luta armada bastante prolongôde.

Já na kolónias portuguesas prossesso fui tardio e mut rigido. Portugal rekusá qualquer prossesse de transição polítika e isso implika guerras de libertação em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Movimentos moda MPLA, FRELIMO e PAIGC konduzi lutas prolongôde ke só terminá ke Revolução de 25 de Abril de 1974. Na 1975, kolónias afrikanas portuguesas torná independentes, no entante ej tmá Estados mut frágeis, markôde pa baixos níveis de desenvolvimento e, nalguns kase, pa guerras civis prolongôde.

Ao kontrário de otx kolónias portuguesas, Cabo Verde kative guerra de libertação na sê território isso devide a sê realidade geográfika, demográfika e sosial. Prossesso de deskolonização fui essensialmente político e negosiôde, fortemente ligôde à luta konduzide pa PAIGC na Guiné-Bissau, sob liderança de Amílcar Cabral. Independênsia foi proklamôde a 5 de julho de 1975, ke Aristides Pereira komo primeiro Presidente da República.

kaso de Cabo Verde demonstrá ke, mesmo dentre dum mesmo império kolonial, prossessos de deskolonização afrikana produzi diferentes resultados, sendo Cabo Verde frequentemente sitod komo um de kasos mais bem-susedidos em termos de konsolidação institusional na pós-independênkia, mesmo ke einda problemas de desenvolvimento ta permanesê.

Rafael Vasconcelos

Gestor Empresas, Mestre em Marketing pela 'University of Creative Arts', Manager na 'Vasconcelos Lopes, Lda.', Autor do Livro 'MARKETING & INOVAÇÃO NAS AUTARQUIAS'. Iniciou a sua carreira no Retail Business tendo sido o responsável pela concepção, implementação e gestão da primeira rede de supermercados do País (FRAGATA) e tem vindo a colaborar em projectos a instituições desenvolvendo modelos “out of the box” de Gestão e Marketing.

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