À medida que o tempo passa, as tensões que envolvem a disputa por recursos naturais acentuam-se. A Água é um dos recursos naturais que está no centro de muitos, e longos, conflitos entre países. O Relatório Geral das Nações Unidas para o Desenvolvimento Hídrico aponta que até 2050 as necessidades de água aumentarão em cerca de 50%, o que incrementará a competição por este recurso natural.

Atualmente três em cada dez pessoas não têm acesso a água potável e cerca de 4 mil milhões de pessoas passam por uma grave escassez de água potável durante, pelo menos, um mês do ano. Existem 2,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo que não possuem instalações de saneamento básico. Mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável.

A água é fundamental para o desenvolvimento socioeconómico, para a produção de energia e alimentos. A necessidade crescente de equilibrar o uso dos recursos hídricos obriga a ter uma visão global. No planeta, de toda a água existente cerca de 97% é água salgada. A água doce representa 2,5%-2,75% de toda a água da Terra.

Neste contexto de escassez e stress hídrico as bacias hidrográficas, melhor, a sua gestão prudente e conservadora é fundamental para o futuro da humanidade no planeta. As maiores bacias hidrográficas do mundo estão na América do Sul, África e Ásia o que não significa que estes continentes não apresentem um complexo e crítico problema na sustentabilidade da água.

A captação de água é um processo fundamental para garantir o abastecimento de água potável para a população. Trata-se da captação de água de fontes naturais, como rios, lagos, represas e aquíferos, para uso doméstico, industrial, agrícola e outros fins.

O consumo de água ocorre de maneira bastante desigual no mundo. A maior parte da utilização da água é realizada pela agricultura, com 70% do consumo, indústria com 22% e finalmente o uso doméstico e comercial com 8%. No entanto, nos países subdesenvolvidos, esses valores são diferentes.

Os países desenvolvidos, de acordo com a sua história, desde a Revolução Industrial, no seculo XVIII, consomem muito mais água do que os subdesenvolvidos e emergentes. Nos Estados Unidos, o consumo per capita é de  575 litros de água, nos “países subdesenvolvidos” o consumo per capita é de 15 litros por dia.

Em Cabo Verde, segundo os dados definitivos do quinto Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH-2021) do Instituto Nacional de Estatística (INE), 75% dos cabo-verdianos têm acesso a água potável segura.

O Sector de água e saneamento é de capital importância para Cabo Verde, dada a escassez crónica de recursos hídricos, a grande vulnerabilidade sanitária do arquipélago e a forte interligação desses fatores com a pobreza.

No entanto, o programa de mobilização de água para agricultura através da dessalinização está em bom ritmo “até o final de 2025 serão sete centrais de dessalinização com respectivos parques solares a produzir um total de 11 mil metros cúbicos dia, o que corresponde a 4,1 milhões de metros cúbicos de água por ano”.

Em consequência da mudança climática, Cabo verde depende cada vez mais da água dessalinizada para o consumo. Mais de 80% da água do consumo doméstico é dessalinizada e com um elevado custo de energia, tendo implicação direta na tarifa da água, considerada uma das mais elevadas em África. A cobertura do abastecimento de água através das ligações domiciliárias é de 69% e cada residente tem uma capitação média diária de 43,8 litros /dia.

As autoridades cabo-verdianas têm como meta a massificação das redes de abastecimento de água, garantindo a todos os domicílios até 2025 o acesso ao abastecimento de água por meio de rede pública e elevar o consumo médio per capita de 43 para 90 litros por dia.

Ora, na batalha pela melhoria global das condições de vida das pessoas está condicionada a um uso local e global sensato, equilibrado e cuidado no uso da água. Estados, Empresas, Organizações, Comunidades e cada pessoa devem e podem fazer muito.


Artigo em Kriol: https://cidadao.cv/agua-rekurs-kritiko-de-planeta/


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Gestor Empresas, Mestre em Marketing pela 'University of Creative Arts', Manager na 'Vasconcelos Lopes, Lda.', Autor do Livro 'MARKETING & INOVAÇÃO NAS AUTARQUIAS'. Iniciou a sua carreira no Retail Business tendo sido o responsável pela concepção, implementação e gestão da primeira rede de supermercados do País (FRAGATA) e tem vindo a colaborar em projectos a instituições desenvolvendo modelos “out of the box” de Gestão e Marketing.

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