A economia de guerra ou economia de tempo de guerra é o conjunto de contingências empreendidas por um Estado moderno para mobilizar a sua economia para a produção de guerra. Muitos especialistas no tema descrevem uma economia de guerra como um “sistema de produção, mobilização e alocação de recursos para sustentar a violência”.
Esta condição tem o objetivo de assegurar e manter as atividades económicas indispensáveis ao país, naturalmente num contexto económico mundial de elevada internacionalização o que implica a salvaguarda das redes de abastecimento, em que cada país está integrado, permitindo o consumo e o desenvolvimento das actividades correntes do país. Este esforço muito exigente da economia e do país visa a satisfação logística das necessidades militares de cada estado em guerra ou numa situação de ameaça de guerra.
Ora, este quadro é identificado facilmente nos dias que vivemos, seja na Europa, seja no Médio Oriente, seja em África. O que coloca a questão da economia de guerra não ser mais um estado de excepção, mas sim uma condição frequente na vida política e económica dos estados e do sistema internacional.
No que diz respeito ao lado da procura agregada, o conceito de economia de guerra tem sido associado ao conceito de “keynesianismo militar”, em que o orçamento militar do governo estabiliza os ciclos e flutuações económicas e/ou é utilizado para combater recessões. Do lado da oferta, observou-se que as guerras têm por vezes o efeito de acelerar o progresso tecnológico a tal ponto que uma economia pode ficar muito fortalecida após a guerra. Foi o caso, por exemplo, dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial e na Segunda Guerra Mundial. Mas, naturalmente essa é uma condição que se verifica, essencialmente, quando o estado em guerra evita que os combates ocorram no seu território.
Na etapa de globalização em que as sociedades vivem desde o final do século XX, as grandes potências reforçaram a sua política de acesso, controlo e domínio das principais matérias e recursos naturais. Sempre que possível por vias pacíficas, mas não deixando de lado a diplomacia, mais agressiva, via tratados, organizações regionais e militares. Esta atitude constante levou e leva os estados dominantes, concorrentes entre si, à participação directa ou indirecta em conflitos e guerras.
O contexto de “pré-guerra ou guerra permanente” implica uma indústria militar a que muitos chama de “indústria da defesa”, sendo que as principais nações do mundo encontraram neste sector económico (o armamento e outras indústrias da defesa) uma enorme fonte de receita e emprego. Por exemplo, Itália é o quarto exportador de armas da União Europeia. A França é o primeiro exportador de armas da União Europeia e terceiro a nível mundial.
Acrescente-se que o orçamento militar dos Estados Unidos, da China e da Rússia atinge valores anuais colossais. A Europa visa implementar uma estratégia industrial da defesa com um programa de investimento de cerca de 100 mil milhões de euros. Ora, a guerra na Ucrânia trouxe o passado para o presente, e tornou o futuro muito incerto. A actual instabilidade remete para os cenários históricos que antecederam a primeira guerra mundial.
Mas será que a paz é uma exceção? O instinto de lutar poderá ser inato à natureza humana, mas a guerra – violência organizada – acontece na sociedade organizada. A guerra moldou a história da humanidade, as suas instituições sociais e políticas, valores e ideias. Uma economia de guerra não é mais um estado de excepção, mas uma situação permanente com diversos níveis e intensidade.
Cabe a diplomacia, continuamente, lutar para evitar situações de guerras descontroladas. A ONU continua o seu esforço insistente de tornar “cada dia menos perigoso e doloroso” às populações civis.
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