As eleições presidenciais nos Estados Unidos decidem quem ocupará o cargo do presidente e vice-presidente dos Estados Unidos. É um sistema de eleição indireta pois as presidenciais são decididas pelo voto de 538 delegados (‘delegates`) de todo o país que formam o colégio eleitoral. Sai vencedor o candidato que recebe, no mínimo, 270 votos do colégio eleitoral.

Ora, a população decide quem vai escolher o seu líder governamental através dos ‘delegates’. Quanto mais populoso for o Estado, maior o número de ‘delegates’. É o caso da Califórnia (55 ‘delegates’), Texas (38), Flórida (29), Pensilvânia (20) e Illinois (20), que juntos respondem por 30% dos votos para a Presidência da República. As eleições presidenciais ocorrem a cada 4 anos, na primeira terça-feira após 1º de novembro.

O Partido Democrata e o Partido Republicano são os dois maiores partidos políticos dos Estados Unidos da América, apresentam propostas ligeiramente distintas sobre o governo, economia e direitos civis, sendo os seus membros conhecidos como liberais e conservadores. Uma das diferenças fundamentais entre os ideais dos partidos Democrata e Republicano é quanto ao papel do governo. Os democratas defendem um papel mais ativo deste na sociedade. E o Partido Republicano tende a defender um governo menor e com menor intervenção pública, mais focado nas questões da soberania clássica. Essa abordagem compreende que as leis do mercado e a livre concorrência são capazes de trazer uma regulação social independente do Estado.

Biden e Trump são os candidatos oficiais dos seus partidos e serão confirmados nas convenções dos dois partidos em Julho e Agosto. Não está eliminada a existência de um terceiro candidato (mas de difícil ocorrência), independente destes partidos. Os mais conhecidos são Robert F. Kennedy Jr., membro da família política mais famosa dos Estados Unidos; Cornell West, Professor em Stanford e conhecido ativista progressista e Jill Stein. O desafio para estes candidatos será conseguir apoio suficiente para figurar no boletim de voto em todos os 50 estados.

Depois do Election Day, os eleitores reúnem-se nos respetivos Estados na primeira segunda-feira após a segunda quarta-feira de dezembro. Nesse dia, votam nas suas escolhas para Presidente e Vice-Presidente. Os votos são contados no dia 6 de Janeiro do ano seguinte quando o Congresso se reúne para contar os votos decorrentes do colégio eleitoral. Nessa altura anuncia-se oficialmente o resultado das eleições: os nomes do Presidente e Vice-Presidente dos EUA. No dia 20 de janeiro, Presidente e Vice-Presidente tomam posse!

Falar da economia dos Estados Unidos é falar da maior economia do mundo. O país tem acesso a abundantes recursos naturais, uma infraestrutura interna muito bem desenvolvida, altos níveis de produtividade e uma força de trabalho com bons índices de educação. O mercado de trabalho atrai imigrantes de todo o mundo e tem uma das taxas mais altas do mundo de migrações. Os norte-americanos têm o maior rendimento por hora trabalhada e figuram em quinto lugar no Relatório de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial.

Os Estados Unidos é a única nação a acumular a liderança no poderio industrial, militar, financeiro, nuclear, estratégico e cultural. Com um PIB que corresponde a cerca de um quinto da riqueza mundial, um poder de consumo extremamente alto e com um poder de investimento muito superior aos outros Países, os Estados Unidos continuam na liderança política mundial, mas confrontados com o desafio da China e do Sul Global.

Este contexto levou a presidência Biden a realizar acções a fim de conter a expansão da China. Biden criou o QUAD (Parceria Quadrilateral sobre Segurança entre Estados Unidos, Índia, Austrália e Japão) e, posteriormente, a AUKUS: uma aliança de cooperação tecnológica e militar, envolvendo Estados Unidos aliado com Reino Unido, Austrália, e outros estados.

Um ponto decisivo na reorganização da geopolítica do poder, que está a ocorrer no sistema-mundo, é o envolvimento umbilical dos EUA na guerra da Ucrânia. Ora, enfrentar a Rússia desencadeou o estreitamento de uma “aliança sem limites” sino-russa, segundo, o falecido, Henry Kissinger, o pior dos cenários para a política externa americana. Dizia Henry: “A amizade entre os dois Estados não tem limites, não há áreas proibidas de cooperação”

As eleições presidenciais norte-americanas de Novembro ocorrem num contexto de enorme instabilidade política e de grande confrontação geoeconómicas com destaque para os conflitos na Europa, Ásia e Africa. Seguramente o próximo presidente e a sua equipa vão enfrentar um conjunto complexo de desafios.


Artigo em Kriol: https://cidadao.cv/eleisoes-presidensiais-na-usa/


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Gestor Empresas, Mestre em Marketing pela 'University of Creative Arts', Manager na 'Vasconcelos Lopes, Lda.', Autor do Livro 'MARKETING & INOVAÇÃO NAS AUTARQUIAS'. Iniciou a sua carreira no Retail Business tendo sido o responsável pela concepção, implementação e gestão da primeira rede de supermercados do País (FRAGATA) e tem vindo a colaborar em projectos a instituições desenvolvendo modelos “out of the box” de Gestão e Marketing.

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