As Forças Armadas de Cabo Verde constituem uma das mais importantes instituições do Estado cabo-verdiano, responsáveis pela defesa da soberania nacional, da integridade territorial e pela preservação da paz e segurança interna e externa.
A sua origem remonta ao braço armado do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), fundado por Amílcar Cabral em 1956. Este movimento político-militar foi responsável pela luta de libertação nacional contra o domínio colonial português, sobretudo na Guiné-Bissau.
Muitos dos primeiros militares cabo-verdianos formaram-se nesse contexto de luta armada, recebendo formação político-militar nas fileiras do PAIGC e em países cooperantes, como Cuba e a antiga URSS.
Com a independência de Cabo Verde, em 5/07/1975, que foi criada oficialmente a instituição das Forças Armadas, composta inicialmente por um pequeno número de militares que regressaram da luta de libertação.
O primeiro Comandante das Forças Armadas foi Pedro Pires, que viria a ser também Primeiro-Ministro e Presidente da República. Sob a sua liderança, as Forças Armadas consolidaram-se como uma instituição disciplinada, com base nos valores de patriotismo, lealdade e serviço à nação.
A estrutura das Forças Armadas foi evoluindo, adaptando-se às novas realidades políticas e estratégicas do país. Atualmente, a instituição é comandada pelo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA), nomeado pelo Presidente da República, que é o Comandante Supremo das Forças Armadas.
A estrutura das Forças Armadas é composta por três comandos regionais e pela Guarda Costeira, permitindo uma cobertura operacional em todo o território nacional.
A 1ª Região Militar está sediada na cidade da Praia – Santiago, e tem sob a sua responsabilidade o comando e a defesa das ilhas do Sotavento (Santiago, Maio, Fogo e Brava). Esta região é considerada o centro administrativo e estratégico das Forças Armadas, por concentrar a maioria das unidades de comando, logística e formação.
A 2ª Região Militar tem sede na ilha de S. Vicente e abrange as ilhas do Barlavento Ocidental (S. Vicente e Santo Antão). Esta região desempenha um papel estratégico importante devido à localização do porto do Mindelo, que serve como ponto de apoio logístico e de vigilância marítima. A 2ª Região colabora estreitamente com a Guarda Costeira, devido à relevância da segurança portuária e marítima nesta zona.
Já a 3ª Região Militar cobre as ilhas do Barlavento Oriental (Sal, Boa Vista e São Nicolau). Com presença militar adaptada à realidade local, esta região tem funções sobretudo de vigilância, patrulhamento e apoio logístico, incluindo a cooperação com as autoridades aeroportuárias e marítimas.
A Guarda Costeira constitui um dos ramos mais ativos, sendo composta por duas esquadrilhas: Aérea e Naval. A Esquadrilha Naval é responsável pela vigilância e patrulhamento marítimo da vasta zona económica exclusiva do país, pela prevenção da pesca ilegal, do tráfico de drogas e pela busca e salvamento no mar. Já a Esquadrilha Aérea apoia essas operações com meios de reconhecimento, transporte e evacuação médica, além de atuar em missões de observação ambiental e monitorização costeira.
Em termos de cooperação internacional, as Forças Armadas de Cabo Verde têm reforçado a sua cooperação com países parceiros, como Portugal, Brasil, EUA e membros da CEDEAO, participando em programas de formação, intercâmbio e exercícios conjuntos.
Em suma, as Forças Armadas de Cabo Verde representam uma instituição multifuncional, que alia o legado histórico da luta de libertação à necessidade contemporânea de segurança nacional e defesa da soberania, reafirmando diariamente o lema: “Servir com honra, defender com coragem”.
As Forças Armadas de Cabo Verde