Artigo de Opinião: O conflito diário USA-CHINA

Será a guerra entre os Estados Unidos da América e a China inevitável?

No complexo histórico, em que os dois países convivem e competem, é cada vez mais equilibrado a relação sino-americana. A China percorreu uma estrada de enorme sucesso económico, técnico, social e político desde o final do Séc. XX, com a sua filosofia “Um País, dois regimes”, proclamada com Deng Xiao Ping.

As guerras não se travam apenas nos tradicionais campos de batalha, destroços e gritos. As guerras começam em palácios, em minas, em rotas, isto é, nos terrenos da economia e da política.

As duas superpotências travam uma batalha pela liderança isolada no nosso planeta. Os Estados Unidos acreditaram, bem como grande parte dos restantes países, que após a queda do Muro de Berlim e o colapso das sociedades ditas socialistas no Leste da Europa, se iniciava um mundo unipolar, dirigido por uma única entidade. Pouco mais de vinte anos, todos sabemos que não é assim…

Os pontos de discórdia, até mesmo conflito, são numerosos e ocorrem em várias latitudes, em vários continentes tendo como pano de fundo o acesso e controlo das matérias-primas, dos mercados e deste modo da influência e controlo político de regiões, de estados e de opiniões publicas.

Ora, esgotar o conflito à tensão USA-CHINA em torno de Taiwan é redutor e desviante quanto a dimensão global do conflito. Um conflito, destacamos, de natureza geopolítica de enorme relevância económica.

A China considera Taiwan como uma das suas províncias e que planeia reunificar, não excluindo qualquer meio. A China, num contexto político diferente integrou as regiões de Hong Kong e Macau ganhando uma “base estratégica” para o processo de reunificação total do território chinês. Perante as Nações Unidas e outros órgãos internacionais a ilha de Taiwan, antes dita Formosa, é parte integrante da china.

Taiwan é uma ilha com cerca de 24 milhões de habitantes, a menos de 200 quilômetros da China continental e está incluída na lista de territórios aliados dos EUA que são cruciais para a política externa americana. Com a rendição do Japão aos EUA no final da Segunda Guerra Mundial em 1945, começou a Guerra Civil Chinesa e o partido comunista ganhou o controlo da continente. O governo, apoiado pelos EUA, recuou para Taiwan em 1949 e anunciou a lei marcial (estado de suspensão da ordem civil pela lei militar).

Nas últimas décadas, a economia de Taiwan se destacou sobretudo pela atuação na fabricação de produtos de alta tecnologia, como chips. Taiwan tem uma das dez maiores economias da Ásia e está entre as 25 maiores do mundo.

Os EUA não reconhecem diplomaticamente Taiwan como País, e a autonomia da ilha é um dos assuntos prioritários em Washington. Os EUA defendem o “status quo”, isto é, que Taiwan continue com um governo autónomo.

Taiwan é geograficamente importante para o governo chinês. Taiwan é a maior ilha perto da China e é a porta de entrada para a China aceder ao Oceano Pacífico. O porto profundo no leste de Taiwan também permite que o governo chinês estabeleça uma base de submarinos e quebre a cadeia de ilhas dos EUA. Como a maioria das importações e exportações de e para o Japão e a Coreia do Sul precisam de usar o Estreito de Taiwan, a China, ao ganhar o controlo, interromperia a cadeia de fornecimentos dos EUA.

Voltando ao princípio, a posse efectiva de Taiwan não é o problema, faz parte do problema. Os USA são uma nação que alarga o seu controlo militar a terras, mares muito longe do seu espaço territorial, como fazem historicamente as potencias dominantes em cada Ordem Mundial. O problema, em termos analíticos, é que a última Ordem Mundial que resultou do desmoronamento da URSS já não existe, está sim em transformação!

Ora, a China, que em 2040 terá uma economia, pelo menos, duas vezes superior a economia norte-americana, contará com recursos e aliados o que implicará um redesenho do confronto USA-CHINA pela liderança. Mais que um líder teremos uma liderança dupla e estados de enorme relevância neste “jogo”. O que vai vencer? o medo que promove o consenso mínimo ou o medo que acelera o combate?

Ou seja, os quarteis generais de cada estado terão em conta a máxima de Sun Tze? “Que a melhor vitória é a que resulta da batalha que não se trava”.


Artigo em Kriol: https://cidadao.cv/konflit-diario-usa-china/

Rafael Vasconcelos

Gestor Empresas, Mestre em Marketing pela 'University of Creative Arts', Manager na 'Vasconcelos Lopes, Lda.', Autor do Livro 'MARKETING & INOVAÇÃO NAS AUTARQUIAS'. Iniciou a sua carreira no Retail Business tendo sido o responsável pela concepção, implementação e gestão da primeira rede de supermercados do País (FRAGATA) e tem vindo a colaborar em projectos a instituições desenvolvendo modelos “out of the box” de Gestão e Marketing.

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